CARTA À TV BRASIL



Por esse argumento, fica claro que diretora de jornalismo deu crédito à France Press, não se valendo de outras fontes que desmentem essa afirmação que, repito, serve aos interesses dos golpistas. Pergunto: em que documento estava escrito a idéia da reeleição que serviu de pretexto público para o golpe, já que o verdadeiro motivo é parar a integração de Honduras com a Alba e América Latina?

O Manual de Jornalismo da Radiobras, página 59, no capítulo sobre a ética, no tópico sobre “Os limites da apuração”, item “e”, afirma :”A Radiobrás apura e veicula informações em primeira mão. Ela não divulga ou “repercute” manchetes publicadas em outros veículos. Porém, motivada por estas matérias, pode vir a apurar e publicar material próprio. Nestes casos, o crédito pelo material primário deve ser dado ao veículo que trouxe a notícia a público”.

Tem mais, na pg. 56, no tópico “Relação com o público”, item “c”, falando de “Precisão”, o Manual afirma: “O mais alto valor de qualquer empresa de comunicação é a credibilidade. Por isso, a precisão e a objetividade devem ser uma obsessão. A exatidão é obrigatória. Os dados devem ser atuais e checados. O repórter deve pesquisar o fato antes de sair para a cobertura. Deve ler o que de mais importante tiver sido publicado a respeito e pedir orientação aos editores e pauteiros. Quando erra, o jornalista põe em xeque não só a credibilidade da organização em que trabalha, mas também credibilidade dos colegas”

Neste caso, pergunta-se: por que a TV Brasil não informou aos telespectadores que a fonte da informação de que Zelaya pretendia uma reeleição ou perpetuar-se no poder como disseram outros veículos brasileiros, como a TV Globo, era apenas a France Press?

Insisto ainda e pergunto: Por que a TV Brasil não informou ao público que na Consulta Popular não vinculante que Zelaya pretendia fazer no dia 28 de junho ao povo hondurenho este tópico reeleição não constava do elenco de questões?

Por que a TV Brasil não informou ao público todo o teor das questões da Consulta Popular de 28 de junho interrompida bruscamente por um golpe militar com apoio do Judiciário e de parte do Parlamento?

Peço ainda que seja respondida a seguinte pergunta: por que a TV Brasil não informou ao seu público que entre as questões da Consulta Popular constava uma sobre a reforma do aeroporto de Tegucigalpa, afetando a atual disposição física da Base Militar de Soto Cano, controlada por forças militares dos EUA, ali estacionadas, ilegalmente?

Finalmente, por que a TV Brasil baseou-se apenas a informação da France Press e não divulgou também o contraditório com informações de outras agências de notícias como a Telam, a Telesur, a Prensa Latina?

Muitas outras perguntas poderiam ser acrescentadas, mas prefiro não fazê-las, por enquanto, deixando como última indagação a dúvida se a editoria internacional conhece a íntegra do texto da Consulta Popular que seria realizada em 28 de junho?

Por estas e muitas outras, repito, as dúvidas sobre a cobertura jornalística da questão hondurenha não foram devidamente respondidas pela jornalista Helena Chagas

E, como ainda está em tempo, sugiro que a TV Brasil consiga com o Embaixador de Honduras no Brasil o texto da Consulta Popular, na qual não constava nenhuma questão sobre reeleição, pretexto, vale sempre repetir, usado pelos golpistas, espalhado pela mídia e comprado inadvertidamente pela TV Brasil, contrariando ao seu próprio Manual de Jornalismo.

Se isso for feito ficará esclarecido de uma vez por todas a questão segundo a qual não constava a questão da reeleição de Zelaya no plebiscito que seria realizado a 28 de junho último.

Esperando que essa crítica construtiva ainda seja levada em conta pela digníssima diretora de jornalismo da TV Brasil, Helena Chagas,

Subscrevo-me,

Atenciosamente,

Mário Augusto Jakobskind
(telespectador que acompanhou e acompanha o noticiário da TV Brasil sobre o golpe em Honduras)

Fazendo Media

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